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Um exemplo notável e ilustrativo de experiência fora-do-corpo, incluindo a percepção detalhada e precisa de um lugar remoto, foi relatada por Kimberly Clark, uma assistente social em Seattle, que considerou tão extraordinárias e convincentes as circunstâncias envolvidas nesse caso que passou a desenvolver um interesse permanente pelas EFCs:
"Meu primeiro contato com uma pessoa que passara por uma experiência de quase-morte foi com uma paciente chamada Maria, uma operária emigrante que estava visitando amigos em Seattle e teve um grave ataque cardíaco. Foi levada à noite ao hospital pela equipe de atendimento de emergência e internada numa unidade cardiológica. Meu envolvimento no caso se deu em conseqüência de seus problemas sociais e financeiros. Alguns dias depois da internação, ela teve uma parada cardíaca. Como estava sendo rigorosamente monitorada e, sob outros aspectos, gozava de boa saúde, foi rapidamente trazida de volta à vida, ficou entubada durante algumas horas para ter garantida uma oxigenação adequada, sendo, em seguida, extubada.
"Mais tarde, naquele mesmo dia, fui visitá-la julgando que pudesse estar aflita pelo fato de seu coração ter parado. Estava realmente aflita, porém não por esse motivo. Seu estado de relativa agitação contrastava com sua calma habitual. Queria conversar comigo sobre alguma coisa. E contou: 'Aconteceu algo muito estranho quando os médicos e as enfermeiras estavam lidando comigo: eu estava olhando para baixo, lá do teto, e os via trabalhar sobre meu corpo.'
"A princípio, isso não me impressionou. Julguei que ela poderia saber o que estava se passando na sala, as roupas que as pessoas estavam usando, e os médicos e enfermeiras que estavam ali, pois tinha visto a todos eles antes da parada cardíaca. Naqueles instantes, ela já estava com toda a certeza familiarizada com o equipamento. E como a audição é o último sentido que desaparece, raciocinei que ela poderia ouvir tudo o que se passava, e, embora eu não pensasse que ela estava, conscientemente, inventando tudo aquilo, imaginei que poderia ter ocorrido algum tipo de confabulação.
"Então ela me contou que sua atenção fora atraída por alguma coisa que estava acontecendo na via de acesso à sala de pronto-socorro, e que, tão logo voltou para lá sua atenção, ela se viu lá fora, como se, ao 'pensar em si mesma' pairando sobre aquela via de acesso, no mesmo instante ela de fato lá estivesse. Nessa altura, eu fiquei um pouco mais impressionada, pois como ela chegara à noite, dentro de uma ambulância, não lhe seria possível saber que aspecto tinha a área onde ficava o pronto-socorro. Raciocinei, entretanto, que em algum momento sua maca poderia ter ficado junto à janela, e que ela poderia ter olhado para fora, e que isso teria se incorporado à confabulação.
"Mas então Maria passou a relatar que sua atenção havia sido novamente atraída, desta vez por um objeto colocado sobre a sacada do terceiro andar na extremidade norte do edifício. Ela 'imaginara a si mesma indo' até lá. Percebeu, então, que 'seus olhos fixavam um cordão de tênis' junto a um tênis. Pediu-me que tentasse encontrá-lo. Ela queria que alguém mais soubesse que aquele tênis estava realmente lá, para confirmar sua experiência fora-do-corpo.
"Tomada de emoções confusas, saí do prédio e olhei para cima, examinando as sacadas, mas de qualquer maneira não poderia ver grande coisa. Então, subi até o terceiro andar e comecei a entrar e sair dos quartos dos pacientes, e a olhar pelas suas janelas, que eram tão estreitas que eu tinha de colar o rosto na vidraça para conseguir ver a sacada. Finalmente, encontrei um quarto onde, ao comprimir o rosto contra a vidraça e olhar para baixo, vi o tênis!
"Meu ângulo de visão era muito diferente daquele sob o qual Maria devia estar olhando para conseguir perceber que o dedinho havia desgastado o lugar onde ficava em contato com o tênis, e que o laço fora dado por trás do calcanhar, assim como outros detalhes a respeito do lado do calçado que não estava visível para mim. Ela só conseguiria observar todos esses detalhes do tênis se estivesse flutuando do lado de fora do prédio e muito perto do tênis. Eu o peguei e o levei para Maria. Foi, para mim, uma evidência muito concreta."
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GROF, Stanislav. ‘A Sobrevivência Depois da Morte: Observações a Partir de Modernas Pesquisas Sobre a Consciência’, In DOORE, Gary. Explorações Contemporâneas da Vida Depois da Morte. 10ª Edição. São Paulo: Cultrix, 1997.
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Olá novo amigo, quero agradecer a sua visita e ressaltar que gostei muito do seu blog e que o tema é muito interessante. Beijinhos estalados.
Expetacular, adorei o texto!!
Um grande abraço amigo XD
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