19/09/11

Trecho do texto «O escrever para mim»

Conforme supramecionado, a escrita está ligada a mim para a conscientização espiritual. O mesmo se verá a seguir onde explanarei sobre o que é o escrever numa perspectiva passiva, contemplativa. Antes de tocar neste segundo ponto, preciso fazer algumas explanações sobre o fato que toda vivência é sempre pessoal. Isto pode parecer evidente demais, mas é importante aqui, me deter neste ponto, para tornar mais claro o motivo de ser do que explanarei mais adiante.
Ser eu, e portanto, qualquer eu, é ter uma perspectiva específica de mundo. Eu sinto, vejo e ouço a vida ao meu redor de uma maneira toda minha, que você não sente, não vê e não ouve do mesmo modo que eu, porque possui sua maneira própria de vivenciar. A subjetividade é o que me é próprio, aquilo que me faz único, o aspecto que me difere de todos os outros seres.
Por exemplo, uma amiga e eu podemos estar conversando pelo messenger e resolvo compartilhar a música Torn, cantada pela Natalia Imbruglia. Podemos executar o som no mesmo segundo, e por isto, sermos ouvintes simultâneos da mesma música. Contudo, a maneira como eu tenho a experiência da música, ou a maneira como eu ouço esta música, me é singular, assim como a experiência que ela está tendo lhe é singular, a sua própria maneira.
O mais engraçado, é que um neurocientista poderia dar uma descrição detalhada da fisiologia dos nossos cérebros no momento em que recebemos as ondas sonoras, mas em nenhum ponto a experiência do som, que ela ou eu vivenciamos, estará contida nesta descrição; estará apenas no íntimo de quem ouve a música.
O mesmo se dá também na relação que cada escritor tem com o escrever. Será uma vivência sempre pessoal, e mesmo que venha encontrar elementos em comum com outra pessoa, tais elementos são vivenciados também de um modo próprio. A mesma condição vale para tudo o que vivenciamos; seja a alegria, o amor, uma tarde de sábado debaixo das árvores com a pessoa amada, uma leitura de um sutra, um passeio, a passagem do tempo, e assim por diante. Desta forma, podemos dizer que o modo de ser da nossa consciência, o modo como nosso vivenciar consciente acontece, é em primeira pessoa, sempre na perspectiva de um sujeito.

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Ana Luiza Cabral disse...

Suas palavras são mesmo tão "existencial". Esse "eu" em muitas pessoas, em mim que também devo teimar em responder todos os gostos, e descrever-me. E é assim, e o bom disso é encontrar também aqui em suas palavras. E acho que realmente somos essa existência "específica".

É adorável o seu blog, suas palavras atingem e encantam. Uma bela escrita. Voltarei sempre e estou a seguir-te. Um beijo!