11/12/11

Silêncio

O silêncio está à nossa disposição, é um estado que vivenciamos. O silêncio nos envolve. Para que possamos entrar em contato com este silêncio que temos à volta, é essencial que não nos envolvamos em nosso barulho interior e, tal modo, não o ouçamos. Uma paisagem é silenciosa, uma igreja respira silêncio, no interior da nossa casa costuma haver pleno silêncio, quando nenhum ruído de fora penetra o ambiente. Ou, se nos referimos a uma pessoa, podemos dizer que ela é silenciosa. Esta, mesmo quando fala, emana silêncio. esta pessoa vive tranquila em si. Outros, que, em alguns casos, nada falam, são, no entanto, totalmente inquietos. Quando nos sentamos perto deles, em um concerto ou numa igreja, sentimos sua inquietação interior.
O silêncio é um elemento que nos faz bem. É um estado de pureza, é algo que não se coloca em evidência, é alguém que renuncia a ser notado. Alguém que apenas está ali.
O silêncio é algo mais que ausência de ruído. Nas montanhas, podemos respirar pleno silêncio, quando percebemos apenas o murmúrio de um riacho. O murmúrio é um ruído, mas não perturba o silêncio; pelo contrário, ajuda a torná-lo acessível. Silêncio e paz interagem. Quando escrevo a respeito do caminho para o silêncio, parto do princípio de que não devo produzir o silêncio. O silêncio existe diante de mim e independentemente de mim.
Entretanto, não vivenciamos o silêncio apenas por fora, mas também interiormente. Existe em nós um espaço próprio do silêncio, e esse espaço existe independente do que fazemos, de nos mantermos calados ou falantes.
Precisamos, portanto, penetrar esse espaço interior do silêncio. Na tradição espiritual, há muitos caminhos pelos quais podemos achar acesso ao silêncio interior. Eu começaria pelos caminhos da natureza, que temos à disposição, e, daí, partiria para os métodos, conforme foram desenvolvidos no campo da tradição espiritual.

Anselm Grün, O poder do silêncio, pp. 10-11

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LiLi disse...

Lindo! Parabéns pelo post.