O silêncio está à nossa disposição, é um estado que vivenciamos. O
silêncio nos envolve. Para que possamos entrar em contato com este silêncio que
temos à volta, é essencial que não nos envolvamos em nosso barulho interior e,
tal modo, não o ouçamos. Uma paisagem é silenciosa, uma igreja respira
silêncio, no interior da nossa casa costuma haver pleno silêncio, quando nenhum
ruído de fora penetra o ambiente. Ou, se nos referimos a uma pessoa, podemos
dizer que ela é silenciosa. Esta, mesmo quando fala, emana silêncio. esta
pessoa vive tranquila em si. Outros, que, em alguns casos, nada falam, são, no
entanto, totalmente inquietos. Quando nos sentamos perto deles, em um concerto
ou numa igreja, sentimos sua inquietação interior.
O silêncio é um elemento que nos
faz bem. É um estado de pureza, é algo que não se coloca em evidência, é alguém
que renuncia a ser notado. Alguém que apenas
está ali.
O silêncio é algo mais que
ausência de ruído. Nas montanhas, podemos respirar pleno silêncio, quando percebemos
apenas o murmúrio de um riacho. O murmúrio é um ruído, mas não perturba o
silêncio; pelo contrário, ajuda a torná-lo acessível. Silêncio e paz interagem.
Quando escrevo a respeito do caminho para o silêncio, parto do princípio de que
não devo produzir o silêncio. O
silêncio existe diante de mim e independentemente de mim.
Entretanto, não vivenciamos o
silêncio apenas por fora, mas também interiormente. Existe em nós um espaço
próprio do silêncio, e esse espaço existe independente do que fazemos, de nos
mantermos calados ou falantes.
Precisamos, portanto, penetrar
esse espaço interior do silêncio. Na tradição espiritual, há muitos caminhos
pelos quais podemos achar acesso ao silêncio interior. Eu começaria pelos
caminhos da natureza, que temos à disposição, e, daí, partiria para os métodos,
conforme foram desenvolvidos no campo da tradição espiritual.
Anselm Grün, O poder do silêncio, pp. 10-11
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Lindo! Parabéns pelo post.
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